História

Fundada em 10 de maio de 1933, numa época em que se implementava a cobertura elétrica do País, teve a sua primeira Assembleia-geral Extraordinária oficial em 4 de setembro desse ano, a fim de se resolver o problema que se punha: o capital realizado era insuficiente para liquidação das despesas feitas com a construção da rede de distribuição da energia elétrica a todos os cooperantes, tendo-se decidido, por unanimidade e após viva discussão, que todos os cooperantes fundadores reforçassem as suas quotas. A 30 de agosto do ano seguinte, trata-se do projeto de contrato para o fornecimento de energia elétrica à Cooperativa, pela Firma Santos & Matos, Lda., aprovada em reunião do Conselho Administrativo, presidida pelo cooperante gerente e fundador, o Pároco de Lordelo, Padre Floriano Dias Pereira, tendo como tesoureiro Augusto Dias Castelo e como vogais Antonino Ferreira Passos, José Ferreira da Costa e Abílio Moreira das Neves.

A Cooperativa torna-se então responsável pelo fornecimento de energia elétrica a Lordelo, mas a sua grande aspiração era a construção de uma cabine de eletricidade privativa. Este projeto, que se chegou a ventilar em 1940, é rapidamente abandonado devido «à carestia dos materiais provocado pelo estado de guerra europeia». No entanto, neste mesmo ano, discute-se o fornecimento de energia elétrica para a iluminação pública e particular, aceitando-se a oferta por empréstimo por 4 meses, de um transformador de 10 kVA, recebido como bónus do contrato a fazer com a Elétrica Duriense, Lda. este foi instalado na cabine cedida pela firma Santos & Matos, até que fosse construída a d´A LORD. Mas as coisas não correram bem, e 1942 é considerado um ano desastroso, pois houve uma profunda quebra nas finanças: o gerador emprestado queimou, sendo a sua reparação bastante cara, os temporais de inverno causaram avarias sem fim na rede e o novo gerador então adquirido queimou também. A acrescentar a isto, no ano de 1948 uma acesa polémica que envolveu os cooperantes, numa discórdia sobre o local onde se pretendia construir a tão ansiada cabine de média tensão, que levou à demissão do Conselho Administrativo. Mas estes problemas não travaram a Instituição que em reunião de 7 de abril de 1954 aprecia o projeto de mais dois postos de transformação a construir na freguesia.

No entanto, com a colaboração e boa vontade de todos, esta primeira fase de implantação e desenvolvimento da Cooperativa terminou, e a partir de inícios dos anos 50 a Instituição começa a dar lucro. Vira-se então, de modo mais amplo, para a comunidade e começa a desenvolver a sua faceta de solidariedade. Uma das primeiras medidas tomadas, em reunião de 8 de março de 1953, foi oferecer o fornecimento de energia elétrica à Igreja e Capelas da Freguesia, e custear as despesas a efetuar na instalação elétrica do Salão Paroquial, local onde a Cooperativa habitualmente se reunia, iniciando-se assim uma série de obras de solidariedade e de abertura à Comunidade de Lordelo.

O local habitual de reunião não satisfazia os cooperantes, uma vez que era partilhado, o que dificultava o funcionamento dos serviços administrativos, arquivo e a implementação de atividades complementares. Um novo sonho surge então. É que em 1955 começa-se a pensar em abandonar o Salão Paroquial e construir uma sede própria. Assim, a compra de um terreno para a sua edificação é aprovado por unanimidade na Assembleia-geral Extraordinária de 23 de fevereiro de 1958, que trata também da iluminação pública da freguesia. É em 27 de dezembro de 1959 que o Conselho Administrativo reúne pela primeira vez em edifício próprio, localizado no lugar do Entroncamento.

Na década de 70, a Cooperativa entra, de novo, em crise devido a problemas económicos, atingindo o seu maior grau de gravidade em 1986, ficando eminente a sua integração na EDP (Electricidade de Portugal), tal como aconteceu à maioria das cooperativas portuguesas.

No entanto, venceu essa dificuldade, negociaram-se as dívidas existentes, e em 1987 iniciou-se uma fase de desenvolvimento e expansão que se manteve até aos nossos dias.

A ação da Cooperativa em prol da eletrificação e manutenção elétrica da freguesia de Lordelo continuou ao longo do tempo, tal como a sua ação de solidariedade e de apoio social, até que, em 29 de setembro de 1996 a Assembleia Geral Extraordinária aprovou a autorização para a constituição de uma Fundação que se dedicasse ao desenvolvimento da Comunidade de Lordelo no âmbito cultural, social e desportivo. Esta é já uma realidade bem conhecida dos Lordelenses.

Atualmente A LORD dispõe de um Património notável, instalações administrativas próprias, armazém, viaturas próprias e uma rede de distribuição moderna e capaz, de meios humanos que dão resposta às necessidades dos consumidores e asseguram a prossecução de uma gestão rigorosa e eficaz.

No culminar de um desempenho e idoneidade notáveis, foi, em 2001, reconhecida como Entidade de Utilidade Pública.

Atualmente, a Cooperativa de Electrificação A LORD, C.R.L. é indissociável da cidade de Lordelo, pelo que já definiu, de forma vinculada, o seu lugar na história.